quinta-feira, 18 de junho de 2009


POEMA FINAL

o homem só,
velho e cansado,
olha para a frente
e nada vê.
olha para os lados
e nada vê.
olha para o fim do mundo

e nada vê.
entre
o espanto dos suicidas
e
o silêncio dos desamados,

o homem cansado,
velho e só,
olha para o poema
e nada vê.

será
que os sinos
dobrarão por ele?

Moacy Cirne

sábado, 30 de maio de 2009



Lista de espera

Não há poema
na lista de espera.
Se muito houver,
uma rouca palavra,
mas nada que possa
tornar-se sol de manhã.
Nada que venha
romper as amarras
do negro da palavra,
nada de grávido,
de fértil, de fecundo.

Maria Maria

domingo, 24 de maio de 2009


A mirra,

para perfumar o espírito,

(enquanto trabalho).

Lisbeth Lima

terça-feira, 28 de abril de 2009


Sempre assim

Quero-te sempre assim:

chuva repentina
numa tarde sem estação,

vento sorrateiro,
umedecendo a minha pele,

tempo de cor inexistente
como Portinari pintava,

branco virando preto
de frente para o sol,

pancada suave no chão
como os pingos da chuva.

Quero-te sempre assim
como a chegada leve da poesia.

Maria Maria

domingo, 19 de abril de 2009


Sino tocando

em que ponto nervoso de carne

um corpo entende outro corpo?


onde não alcançam

alheios olhos

secretas grutas

se espantam

com sua própria escuridão.

quinta-feira, 2 de abril de 2009


Chão de pedra

Chão de pedra
que o mato desfalece
fraco
e inerte
..............

Chão de pedra
duro e acidentado
pasto mal-casado
deserto.

Odon Junior
CHÃO DE PEDRA,2005

quarta-feira, 25 de março de 2009

Espio

Tenho a poesia
como um olhar
que me espia
- pela fresta da fechadura –
me despindo
todo dia,
todo dia,
todo dia
me despindo
todo dia.

Maria Maria