quarta-feira, 25 de março de 2009

Espio

Tenho a poesia
como um olhar
que me espia
- pela fresta da fechadura –
me despindo
todo dia,
todo dia,
todo dia
me despindo
todo dia.

Maria Maria

sábado, 14 de março de 2009


POEMA PARA TUA PARTIDA

Se digo o teu nome,
cem pássaros verdes, todos verdes,
se perdem no espaço de solstício.
Um pássaro disperso talvez pouse
no oásis rubro de teus lábios
e se alimente de beijos esquecidos.
As águias das manhãs
devoram tua presença
que constrói ninhos em meus ombros,
com fios de noites.

Nas amplidões noturnas,
os astros te inventam.
Desces liqüefeita de espaços
e inundas, num dilúvio, o pensamento.
Há um pássaro,
olhos de sal, plumagem de brumas,
que cortando a distância do teu céu
será minha solidão.

Nei Leandro de Castro

quarta-feira, 11 de março de 2009



ESPINHO

Tenho no dedo um espinho.
Não antônimo de flor,
Metonímia de dor.
Apenas espinho.
Ponto escuro
Encravado
No muro
da casa
onde
mo-
ro
.

Aldenir Dantas

terça-feira, 3 de março de 2009


MENINO-HOMEM

Dentro deste homem,
um quê de menino impera
no desejo de um mundo melhor.

Dentro deste rapaz,
há um rapaz presente-ausente
nas relações pessoais.

Dentro deste homem,
um homem sempre menino
ainda é de se apaixonar.

Romário Gomes

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009


MARIA CABOCLA

Onde estás
traços de menina
serra subia
chinelo na mão
toalha na cabeça
vestido de algodão?

Maria José Mamede

Este poema está na íntegra
no blog: www.mariacabocla.blogspot.com

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009


SEM CHUVA NO MEU SERTAO ACABOU-SE A ALEGRIA

Sem chuva no meu sertão
acabou-se a alegria.
Totoró, açude amigo,
tuas águas têm saudade,
brinquedos da mocidade,
embalos de sonho antigo.
Longe de ti, um castigo
de tristeza me esvazia!
Cadê tua água fria?
Totoró, que solidão!
Sem chuva no meu sertão
acabou-se a alegria.

Jarlene Maria

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Visão do poeta

Para o poeta
as minúsculas coisas
da vida
são as mais intrigantes.

Artur Gomes Guirra, 15 anos