quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Rainhas magas

As mulheres do Seridó tecem do mais puro e longo algodão;
engendram bordados de luz em camisas de linho com fios de cristal,
bramando malhas que os deuses encravam no peito de quem ama!

Francisco Alves

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A Rua Grande

(Rua Capitão-mor Galvão)

Relembro a velha “Rua Grande”
da minha infância com os olhos distantes,
de quase meio século.

A rua do rio, que esbarrava na cadeia;
A rua da igreja, que terminava na praça.
Passagem obrigatória dos que iam e vinham das festas na praça.

Nela, ainda vejo a “bomba”
enfeitando a janela de João de Chicó,
o riacho cheio em dias de chuva,
a pedra de “seu” Manequinho inda imponente...

Lembro de dona Júlia Duarte, de chicote na mão,
guardando seu ficus à passagem das passeatas políticas,
que tornava-se cômico, se não fosse trágico,
ver o couro passeando no lombo de algum desavisado .

Lembro-me como se fosse hoje,
Como se o tempo não tivesse passado,
Como se nada tivesse passado,
Como se o presente sequer houvesse chegado.

Lembro do meu avô no bloco dos motoristas,
De Raimundo Cruz com sua troça & família,
De Mário Aragão com seu motor,
Do “Assum Preto”, pássaro Anum Mará,
Com Inácio Gavião conduzindo a grande ave
Em rumo do “departamento”, em passo de ganso.

Me vejo nos jogos de bola na calçada do Armazém,
no cheiro de pão da Padaria Central ,
da oficina de “seu” Zé Augusto, de Paródi
e do velho Zé Tetéu.

Da rua velha, hoje apenas um ou outro rosto mais antigo,
Uma ou outra fachada ainda intocada,
Uma ou outra lembrança ainda rediviva,
muitas saudades que nos fere de morte.

Volney Liberato
Cronista e poeta currais-novense

sábado, 31 de julho de 2010

'III

quando a enxada chambocava a terra,

mané de barro coloria as espigas

sementeadas ainda nos grãos de milho…

e descansava como um balaio de despensa,

cheio de aguardos e cores novas.'


Wescley J. Gama - Currais Novos, RN

sábado, 29 de maio de 2010

TORPEDOPOEMA (I)


Francisco Alves da Costa Sobrinho


De te saber
Alegro-me imenso.
E te percorro
Por extenso.

sexta-feira, 21 de maio de 2010


Para Chico

Um homem feito menino
é raro de se achar,
pérola branca
de brilho negro.

Maria Maria

quarta-feira, 19 de maio de 2010

CABOCLA SERIDÓ POESIA


Francisco Alves da Costa Sobrinho


Quanto de ti é só poesia
Queijos, filhós e mel
De Seridós quanto terás
Neste Acari Currais caicoense
Que teu olhar acaricia?

Ai de mim, ai de nós, sorriso de Maria...
Quanto de mim ficou perdido
Entre ervas, desejos e licores
Nessa busca sem fim de teus amores
Nos longos tempos em que não te via!

domingo, 2 de maio de 2010


Formiga

Se uma formiga eu fosse
-talvez seja –
mergulharia na primeira poça
orvalhada pela flor do cardeiro
nesse meu singular chão
do Seridó.

Maria Maria